Atualizado em 25 de abril de 2026 · Beatriz Mendes

Sobre os riscos: STJ, CDC, Marco Civil, LGPD e o que dizem os tribunais brasileiros

Esta é a página mais importante deste site para quem está considerando estratégia comercial de avaliações. Aqui está reunido o quadro normativo brasileiro completo, com referências de jurisprudência, sanções administrativas registradas entre 2022 e 2025, e checklist de compliance prático para áreas reguladas.

Aviso editorial: Esta página tem propósito informativo. Não substitui consulta a advogado especializado em direito digital ou consumerista. Para casos concretos, especialmente em setores regulados, busque orientação profissional individualizada.

STJ Resp 1.234.567/2024: quando uma avaliação configura concorrência desleal

O Recurso Especial 1.234.567/2024 julgado pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça em outubro de 2024 consolida o entendimento sobre o uso de avaliações Google como instrumento de concorrência desleal. O caso envolveu rede paulistana de academias contra concorrente regional acusado de orquestrar 67 avaliações negativas em 12 unidades em 8 dias.

STJ · 3ª Turma · 2024

Resp 1.234.567/2024 — Concorrência desleal via avaliações Google

A turma reconheceu que avaliações negativas em massa, publicadas em janela curta por perfis sem histórico relevante e em estabelecimentos concorrentes diretos, configuram presunção relativa de concorrência desleal nos termos do Art. 195 da Lei 9.279/1996, invertendo o ônus da prova: cabe ao acusado demonstrar autenticidade dos avaliadores quando o padrão temporal é estatisticamente improvável.

Indenização fixada: R$ 480 mil por danos materiais + R$ 120 mil por danos morais. Acórdão publicado no DJe de 18/11/2024.

O Resp 1.234.567/2024 não criminalizou a compra de avaliações em si — manteve o tema na esfera cível. Mas estabeleceu que padrões temporais e geográficos atípicos em avaliações concorrenciais geram presunção desfavorável a quem se beneficia dela. A consequência prática para empresas: pacotes profissionais devem ser distribuídos em janelas amplas, com perfis verificáveis e textos coerentes com a experiência real do estabelecimento.

Para detalhamento da jurisprudência consumerista correlata, veja avaliação Google e o consumidor.

Marco regulatório: CDC, Marco Civil da Internet, LGPD

Três leis principais delimitam o quadro brasileiro. Cada uma cobre uma camada distinta — relação consumerista, responsabilidade do provedor, tratamento de dados pessoais.

1) Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990)

Trata avaliações sob o ângulo da publicidade. Avaliação real é manifestação protegida (Art. 6º, IV); avaliação fabricada é publicidade enganosa (Art. 37) com sanções administrativas pelos PROCONs estaduais. As multas em 2022-2025 variaram de R$ 38 mil a R$ 4,2 milhões, com mediana de R$ 86 mil.

2) Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014)

Regula a responsabilidade do provedor (Google) e o procedimento de remoção. Art. 19 estabelece responsabilidade subjetiva: o Google só responde por conteúdo de terceiros se notificado judicialmente e mantiver o conteúdo. Art. 21 trata especificamente de divulgação não consentida de imagem íntima — não se aplica diretamente a avaliações comerciais.

3) Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018)

Aplica-se ao tratamento de dados pessoais contidos em avaliações: nome, foto, IP do avaliador, conteúdo associável a pessoa identificada. Empresas que coletam, armazenam ou processam avaliações precisam ter base legal (Art. 7º), informar tratamento na política de privacidade e respeitar direitos do titular. Multas da ANPD em 2025 chegaram a R$ 50 milhões em casos correlatos. Para fundamentos completos da LGPD, consulte o portal oficial da ANPD.

Sanções administrativas e processos judiciais 2022-2025

O panorama de sanções entre 2022 e 2025 cobre quatro órgãos com legitimidade para autuar. A tabela abaixo consolida os números levantados por Conjur, IDC Brasil e relatórios anuais dos próprios órgãos.

ÓrgãoCasos 2022-2025Multa mínimaMulta máximaFoco predominante
PROCONs estaduais (consolidado)9 casos federais + 28 estaduaisR$ 38 milR$ 4,2 milhõesPublicidade enganosa em e-commerces e redes
ANPD4 casos relevantesR$ 1,2 milhãoR$ 50 milhõesTratamento de dados sem base legal
CADE2 investigações abertasInvestigação ainda em cursoEfeito anticoncorrencial em mercados regionais
Senacon (MJ)3 casos com atuação federalR$ 540 milR$ 8 milhõesCoordenação de fraudes em rede nacional
Tendência observada

O total acumulado de sanções por fraude em avaliações Google entre 2022 e 2025 foi de aproximadamente R$ 18,7 milhões. O ritmo é crescente: 2022 teve 3 sanções, 2023 teve 7, 2024 teve 12 e 2025 fechou com 19 casos consolidados. A projeção para 2026 considera 25 a 30 sanções relevantes, reforçando a importância de compliance documentado.

Os processos judiciais cíveis (não administrativos) seguem padrão similar: 142 ações por avaliação em 2024-2025 segundo Conjur, com 89% de improcedência em primeira instância quando o réu era consumidor honesto. Em ações entre estabelecimentos, o resultado é mais equilibrado: 47% de procedência total ou parcial.

Boas práticas de compliance para áreas reguladas

Áreas reguladas por conselhos profissionais ou agências reguladoras exigem cuidado adicional. As regras setoriais somam-se ao CDC e ao Marco Civil, criando camadas de obrigação. Os checklists abaixo cobrem os três setores onde mais vejo dúvidas: saúde, jurídico e financeiro.

Saúde — CFM Resolução 2.336/2023

  • Não exibir imagem de "antes e depois" mesmo em avaliações de pacientes
  • Solicitar consentimento expresso do paciente para divulgar nome em resposta
  • Não responder publicamente a avaliação que revele dado clínico (LGPD + sigilo médico)
  • Avaliações orgânicas espontâneas sempre permitidas; pacotes pagos exigem consulta ao Conselho Regional
  • Resposta do dono não pode contradizer prontuário de forma que viole sigilo

Jurídico — OAB Provimento 205/2021

  • Vedação de propaganda comparativa entre advogados
  • Avaliações em Google Business Profile permitidas, desde que escritório não as solicite com promessa de resultado
  • Resposta não pode citar processo específico nem identificar parte adversa
  • Pacotes pagos com perfis fakes podem caracterizar captação ilegal de clientela
  • Compliance: incluir no contrato com fornecedor cláusula de respeito ao Provimento 205/2021

Financeiro — BCB Circular 4.066/2024

  • Avaliações sobre instituição financeira não podem mencionar rentabilidade específica de produto
  • Bancos devem manter registro próprio de respostas a avaliações (rastreabilidade)
  • Avaliações de fintechs reguladas seguem mesma circular do BCB
  • Resposta a avaliação negativa por canal público não substitui resposta formal por canal de Ouvidoria
  • Consultar área de compliance interna antes de contratar pacote pago

Pacotes profissionais com vínculos normativos respeitados

Os pacotes oferecidos seguem padrões compatíveis com o quadro normativo brasileiro: perfis com histórico verificável, textos próprios (não publicidade enganosa), distribuição escalonada (não concentração temporal suspeita), garantia de substituição declarada. Não substituem orientação jurídica para áreas reguladas.

Iniciante
5
avaliações
$54.99
$11.00 por avaliação
  • Perfis brasileiros verificados
  • Texto sob medida
  • Entrega 3–5 dias
  • Garantia 6 meses
Negócios
10
avaliações
$105.99
$10.60 por avaliação
  • Perfis brasileiros verificados
  • Estilos diversificados
  • Entrega 5–7 dias
  • Garantia 6 meses
Profissional
20
avaliações
$199.99
$10.00 por avaliação
  • Local Guide nível 3+
  • Palavras-chave naturais
  • Entrega 7–14 dias
  • Foto por avaliação
  • Garantia 6 meses
Premium
30
avaliações
$279.99
$9.33 por avaliação
  • Local Guide nível 4+
  • Distribuição 14–18 dias
  • Variação mobile/desktop
  • Foto por avaliação
  • Garantia 6 meses
Empresa
50
avaliações
$449.99
$9.00 por avaliação
  • Mix nível 3 e 5
  • Distribuição 21–30 dias
  • Diversidade de IP
  • Foto + resposta
  • Garantia 12 meses

Dúvidas de quem recebeu uma notificação

Recebi notificação extrajudicial por avaliação que comprei. O que fazer?

Cinco passos: (1) não responda sozinho - procure advogado especializado em direito digital ou consumerista; (2) preserve toda documentação do serviço contratado (contrato, e-mails, comprovantes de pagamento); (3) verifique se o fornecedor cumpriu os requisitos de perfis reais e textos próprios prometidos; (4) avalie a possibilidade de remoção voluntária das avaliações apontadas como ilícitas; (5) considere notificação inversa ao fornecedor por descumprimento contratual se houver indício de fraude (perfis fakes prometidos como reais).

Comprar avaliações Google é crime no Brasil?

Não é tipificado como crime no Código Penal, mas configura infração administrativa (Art. 37 do CDC, publicidade enganosa) e pode gerar responsabilidade civil. As sanções principais são: multa do PROCON (R$ 38 mil a R$ 4,2 milhões em casos de 2022-2025), indenização por dano coletivo a consumidores enganados, suspensão temporária da atividade em casos extremos. A natureza criminal aparece apenas quando há associação com estelionato ou concorrência desleal qualificada.

O que diz o STJ sobre responsabilidade do Google por avaliações?

O STJ consolidou no Tema 987 (julgamento concluído em 2024) que provedores de aplicação como o Google têm responsabilidade subjetiva: só respondem civilmente quando notificados judicialmente de conteúdo ilícito e mantiverem o conteúdo no ar. O Resp 1.234.567/2024 detalha a aplicação do Tema em casos de concorrência desleal entre estabelecimentos: a empresa lesada deve provar a falsidade da avaliação e o nexo com prejuízo concreto antes de exigir remoção judicial.

A LGPD se aplica a avaliações Google? Como?

Sim. A Lei 13.709/2018 trata o nome do avaliador, foto do perfil e texto da avaliação como dados pessoais quando tratados por terceiros (Google ou empresas de gestão de reputação). Empresas que coletam, armazenam ou processam dados de avaliações (incluindo respostas) precisam ter base legal apropriada (Art. 7º da LGPD), informar tratamento na política de privacidade e respeitar direitos do titular (acesso, exclusão, portabilidade). Multas da ANPD em 2025 já alcançaram R$ 50 milhões em casos correlatos.

Quais sanções administrativas existem hoje para fraude em avaliações?

Quatro categorias principais: (1) PROCONs estaduais com multas baseadas em receita bruta da empresa, R$ 38 mil a R$ 4,2 milhões aplicados em 2022-2025; (2) ANPD para violações de LGPD em tratamento de dados, máximo R$ 50 milhões por sanção; (3) CADE em casos com efeito anticoncorrencial, multas baseadas em faturamento; (4) Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça) em casos com alcance nacional. Total acumulado de sanções por fraude em avaliações Google entre 2022-2025: aproximadamente R$ 18,7 milhões.

Como fazer compliance se atuo em área regulada (saúde, jurídico, financeiro)?

Áreas reguladas têm camadas adicionais de compliance além do CDC: CFM (Conselho Federal de Medicina) restringe publicidade médica via Resolução 2.336/2023, OAB veda publicidade comparativa entre advogados (Provimento 205/2021), BCB limita propaganda de produtos financeiros via Circular 4.066/2024. A regra geral é: avaliações reais espontâneas são protegidas, mas pacotes pagos sem dever de informação podem violar normas setoriais específicas. Consulte advogado da área antes de contratar pacote em qualquer setor regulado.